A enganosa relação entre esforço e desempenho

É muito comum frases de motivação que falam sobre o esforço e o sacrifício como meio de se obter êxito. “Todo esforço tem a sua recompensa”, “O segredo do seu sucesso está na constância do seu esforço” “Suor mais sacrifício é igual a êxito”. Quantas dessas frases você já ouviu durante o percurso? Você concorda com elas? Elas fazem sentido para você?

Pois bem, vamos analisá-las! Há, em todas as frases deste tipo, a ideia de que sem dedicação e/ou sem esforço, não há conquistas. Faz sentido, sim! O problema é que há duas outras ideias embutidas nelas que são erradas e que levam a muitos prejuízos.

O primeiro deles é de que TODO esforço tem recompensa. Nem todo! É muito comum ver pessoas que se esforçam apenas pelo esforço em si, ou seja, depositando a conquista somente no ato de se esforçar, sem refletir se esse ato está sendo realizado na tarefa certa e do jeito certo. Há pessoas se esforçando no cultivo de limão, mas querendo colher jabuticaba. E aí, como não consegue colher jabuticaba, acha que foi falta de dedicação no cultivo e não na escolha errada da semente.

O segundo é a mensagem de que a ligação entre desempenho e esforço é uma correlação positiva perfeita, isto é, quanto maior o esforço, maior o desempenho. E acredite, não é bem assim que funciona. Acompanhe meu raciocínio através do gráfico que desenhei.

No ponto A podemos observar que sem esforço, não há desempenho. Entre os pontos A e B, o desempenho aumenta com o esforço. Do ponto B ao C, é preciso de mais esforço para manter o mesmo desempenho. Do Ponto C em diante…

Sendo assim, poderíamos dizer que há um ponto ideal (Ponto B) onde o ato de se esforçar atinge o seu desempenho máximo. No entanto, ao ultrapassar este limiar, a relação muda de direção. Num primeiro momento, acaba sendo preciso muito mais esforço para o mesmo desempenho (entre os ponto B e C); posteriormente, este tende a cair ladeira abaixo, comprometendo a saúde física e emocional, podendo levar até à depressão (D). Fazendo uma analogia, é como se fossemos máquinas: quando excedemos a capacidade, nossa performance começa a diminuir, apresentando falhas e problemas, até que um dia funde o motor.

Para identificar o “ponto B” é preciso autoconhecimento e consciência de que seu ponto é diferente dos demais. Além disso, o “ponto B” é equilíbrio, e não estabilidade. Logo, deve ser perseguido constantemente, dia-a-dia, necessitando de engajamento em diferentes desafios que permeiam as dificuldades particulares responsáveis pelo afastamento deste ponto.

Portanto, nem todo esforço tem a sua recompensa e nem todo sacrifício vale à pena.

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