Dizeme com quem andas que te direi com quem andas.

Dize-me com quem andas e te direi…com quem andas.

Na verdade o ditado é outro: “dize-me com quem andas e te direi quem és”. Confesso que já levei esse ditado a sério quando era mais jovem e penso que seja pertinente quando se está na adolescência e os pais cautelosos alertam os filhos sobre suas amizades dessa forma, uma vez que a influência do outro é muito grande e com consequências perigosas. Mas e para os mais “grandinhos”, é importante seguir o ditado? Você já pensou em como seria avaliado de acordo com ele?

Na tentativa de responder essas questões, não encontrei uma pessoa ou um grupo que pudesse definir quem eu sou. Até porque possuo amizades bem diversificadas (o que eu adoro!). Elas podem, sim, dizer um pouco sobre mim, mas o que de fato me definirá será o tipo de relação que estabeleço com cada pessoa, em cada contexto. Assim, cada amigo pode contribuir com uma parte na composição dessa definição.

É lamentável que alguns ainda levem à risca o ditado acima. Considero limitador tanto avaliar o outro de forma simplista, quanto escolher amizades visando uma determinada avaliação da sociedade (ando com x pra dizerem que sou x). Isso é comum, uma vez que as pessoas não querem ser mal interpretadas. A escolha das relações deixa de priorizar pela qualidade para se ater aos adjetivos que o possível amigo pode associar à sua avaliação. Isso é reforçar julgamentos injustos que só favorecem o preconceito e a discriminação.

Lembrando dos meus amigos, penso em o que cada um me permite ser, o quão rico é aprender e conviver com as diferenças, que mudanças esses relacionamentos me permitiram. Conheci não só mais sobre eles, mas também sobre mim mesma. Por fim, dizer que ando com Zé só permite concluir que ando com Zé e não que sou como o Zé.

Medo de errar

Quando temer o erro é pior do que errar

Já dizia o ditado popular: “errar é humano”. Uma das certezas que temos nesta vida é a de que todas as pessoas erram. Não somos perfeitos e nunca seremos. É a nossa condição humana. Mas por que algumas pessoas temem tanto errar?

medo-de-errarPrimeiramente é importante deixar claro que nem todo medo é prejudicial. Em alguns momentos ele se configura como uma cautela, necessária à nossa sobrevivência e qualidade de vida. Por outro lado, esse medo de errar é danoso quando os prejuízos decorrentes
dele são maiores do que os benefícios, ou seja, o medo de errar é mais prejudicial do que cometer o erro.

O medo, sendo uma sensação ruim, pode levar o indivíduo a evitar situações em que visualiza a possibilidade de errar, estratégia essa que momentaneamente parece produtiva por cessar ou diminuir esta sensação. Contudo, não é possível fugir de todas as situações e o medo reaparecerá “dizendo”: “-Fuja, caia fora, você não dará conta, você não é capaz”. Sendo assim, fugir é concordar com este “anúncio”, o que acarreta baixa autoconfiança, baixa autoestima e mais medos.

Há também outra estratégia: fazer sem errar. Neste caso, as pessoas enfrentam o medo de errar se precavendo dos erros de forma excessiva, perfeccionista e ansiosa. E, por maior que seja o investimento da pessoa nesta direção, o fracasso é inevitável. A pessoa se julga incompetente por não ter sido capaz de evitar o erro, apesar de tanta dedicação, passando a despender cada vez mais tempo e esforço nessa missão impossível de não errar.

As duas estratégias expostas acima visam “perder” o medo de errar evitando o erro. Ambas são improdutivas e limitam o desenvolvimento pessoal. Além disso, errar tem seus benefícios, pois já dizia o ditado “é errando que se aprende”.

Dessa maneira só há uma forma de vencer a batalha contra o “medo de errar”. É a aceitação de que todos nós erramos, somos imperfeitos, limitados, humanos. Seja mais flexível com você mesmo e comece o dia conjugando o verbo:

Eu erro, tu erras, ele erra…
Eu errarei, tu errarás, ele errará…

O que é procrastinação?

O que é Procrastinação?

Quantas vezes você adiou uma tarefa? Com que frequência você chega atrasado aos compromissos? Costuma deixar tudo para a última hora?

ProcrastinaçãoNão é à toa que existe o ditado: “Não deixe pra amanhã o que você pode fazer hoje”. Provavelmente todos nós já adiamos, “enrolamos”, deixamos alguma tarefa para o dia seguinte. Mas, e quando este comportamento se torna um hábito que traz prejuízos para a vida da pessoa? Aí estamos falando de procrastinação.

Procrastinação é o hábito de adiar coisas que precisamos fazer dando inúmeras razões, que na maioria das vezes são frágeis e até falsas. Deixa-se para depois o estudo, a consulta ao médico, a arrumação de uma gaveta, o início de um regime alimentar, a matrícula numa academia, a declaração do imposto de renda. Normalmente as consequências são danosas, repercutindo prejuízos na vida profissional, familiar e social. Aquele que não cumpre certas obrigações decepciona o outro e perde credibilidade e oportunidades. Além da reprovação de outros, o procrastinador se frustra consigo mesmo por não conseguir atingir os objetivos.

Diferente do que muitos pensam, a preguiça não é a vilã da procrastinação. O que se observa é um engajamento da pessoa em outras
atividades enquanto adia um dever, mas fica paralisada só de pensar no dever que a espera.

Se não é por preguiça, por que as pessoas adiam o que devem fazer? Deixa-se para depois aquelas atividades custosas, que exigem mais esforço, tempo e habilidade; adiam-se deveres que se não forem cumpridos acarretam punição; procrastina-se o trabalho quando há temor de uma avaliação negativa dele. Porém, não se procastina aquilo que dá satisfação.

Há inúmeros fatores que levam alguém a adiar uma tarefa e/ou desenvolver um padrão procrastinador, mas em linhas gerais a falta de autocontrole explica a maior parte delas. Isso ocorre porque as pessoas são mais sensíveis aos efeitos imediatos do seu comportamento, e não às consequências tardias. Sendo assim, tarefas que são mais trabalhosas, desagradáveis, difíceis e com efeitos recompensadores a longo prazo têm pouco controle sobre seus comportamentos. Quem já apertou o modo soneca do despertador ao acordar sabe do que estou falando.

As orientações para a mudança de um hábito procrastinador são específicas para cada caso. É preciso investigar os motivos que levam alguém a procrastinar e as melhores estratégias para se promover as mudanças necessárias. Contudo, algumas dicas são mais gerais e podem servir para a maioria das pessoas. Seguem algumas delas:

  • Liste todas as atividades que deseja e que deve fazer e identifique os motivos pelos quais quer ou deve fazer algo.
  • Estabeleça prioridades: diferencie o que é menos importante do que não deve ser adiado em hipótese alguma. De preferência faça uma escala de importância e urgência das atividades.
  • Descreva os passos de cada atividade a ser realizada. Fragmentando-as fica mais fácil de visualizá-las e de planejá-las.
  • Seja realista: crie metas possíveis de serem cumpridas. Alta expectativa e tempo insuficiente para a realização das mesmas aumentam as chances de frustrações e de desistência.
  • Calcule o tempo para cada tarefa. Tente não superestimar ou subestimar o tempo necessário para sua realização para que tenha tempo suficiente para a realização de todas as atividades.
  • Procure iniciar pelas tarefas menores, mais fáceis e de rápida conclusão.
  • Utilize agenda e fique sob controle dela. Estabeleça dia, horário e tempo para realizá-las.
  • Identifique os motivos que o tira do foco e se conscientize deles. Fique atento para estes sabotadores.
  • Aprenda a dizer não. Não deixe que a necessidade de agradar às pessoas o faça assumir responsabilidades que dificulte ou impeça a realização dos seus compromissos.
  • Permita-se errar, pois faz parte do aprendizado! É importante fazer experimentar. Assim você terá a oportunidade de conhecer suas dificuldades e superá-las. Portanto, faça!
  • Diante de dificuldades para realizar determinada tarefa busque a ajuda de alguém que possa ajudá-lo a fazê-la.
  • Se a tarefa é longa e cansativa, crie intervalos para descansar e recarregar as energias para voltar àtarefa.
  • Vá ticando ou riscando as tarefas conforme as conclui. Isso é extremamente importante!

Em linhas gerais, é preciso saber planejar os compromissos, criar meios realistas para realizá-los e avançar aos poucos. A sensação de “missão cumprida”, em contraste ao mal-estar de um comportamento procrastinador que rumina o problema, é o que motivará uma mudança deste padrão comportamental.

Você está preparado para inveja?

Você está preparado para a inveja?

O que você pensou quando leu este título? Este era o título de um texto avulso de autoajuda que li quando ainda fazia faculdade. Na época, ao ler pensei: “o texto vai me ajudar a perceber e/ou me orientar a lidar com a inveja que os outros possam ter de mim”. Não me lembro do autor, mas o autor atendeu a essa minha expectativa.

Hoje, porém, entendo que a inveja mais nociva não é aquela que vem do outro, mas a que vem de nós mesmos. Dessa, pouco se fala, pois ninguém admite sentir inveja. É confessar um pecado capital! É confessar a superioridade do outro e a nossa fraqueza. Além disso, sentir inveja é feio e o invejoso é alguém maldoso e perigoso. Não foi assim que aprendemos?

Você está preparado para a inveja?Aí inventaram a invejinha boa. Boa? Pode estar se referindo a outra coisa, mas inveja nunca é boa. Invejar não é simplesmente COBIÇAR o que o outro possui, mas é querer a felicidade que o outro sente com isso e, por não sentí-la, incomodar-se. Sendo assim, a inveja sempre envolve a comparação que se faz entre si e uma outra pessoa próxima, igual. É bem provável, por exemplo, que uma mulher sinta inveja da beleza e do charme de uma amiga, mas não sinta da Grazi Massafera (ou outra da sua preferência).

Portanto, tudo começa com a comparação, onde a percepção de satisfação do outro amplifica o descontentamento sentido. Então, a felicidade do outro incomoda! Segue a isto um sentimento de injustiça: “por que não eu?”, “Eu é que merecia isso!”. Alguns passam a ocupar os seus pensamentos com infinitas comparações aumentando assim o seu descontentamento, enquanto outros tentam diminuir esta desvantagem prejudicando o outro.

Não controlamos o que sentimos, mas podemos controlar nossas atitudes. Negar este sentimento não impede que ele se manifeste. Cabe a nós, humanos, aprender a lidar com a inveja sentida, para o nosso próprio bem e do outro. Corte o mal pela raiz: evite comparações. A grama do vizinho sempre será mais verdinha!